Às vésperas do início do julgamento da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a prisão de Daniel Vorcaro, parlamentares de diferentes espectros apostam na possibilidade de o fundador do Banco Master voltar à prisão domiciliar ou até ser solto. Em meio a esse cenário, paira, no ar, um temor em relação ao risco de delação do banqueiro, o que poderia afetar diversos grupos políticos.
Nesse sentido, a votação sobre a prisão de Vorcaro, a partir desta sexta-feira (13/3), será acompanhada com bastante atenção pela ala política.
Por decisão do ministro André Mendonça, relator das investigações sobre o banco no Supremo, Vorcaro foi preso preventivamente no último dia 4/3 e levado à Penitenciária Federal de Brasília. Até então, ele cumpria prisão domiciliar desde novembro do ano passado. A medida, porém, ainda precisa ser referendada pela Segunda Turma.
A análise começará na manhã desta sexta, no plenário virtual da Corte. Além de Mendonça, poderão votar os ministros Gilmar Mendes, Luiz Fux e Nunes Marques. O ministro Dias Toffoli, ex-relator do caso Master, declarou-se suspeito e não participará do julgamento.
Sob reserva, parlamentares ouvidos pela reportagem avaliam que a saída de Toffoli pode abrir caminho para que haja um empate, cenário que beneficiaria Daniel Vorcaro. Isso porque o regimento interno do STF estabelece que, nessas circunstâncias, deve prevalecer a interpretação mais favorável ao investigado.
Um deputado afirmou que “tudo indica que as regras do STF devem liberar Vorcaro do regime mais duro de prisão”. Segundo o parlamentar, outros colegas também acreditam que o banqueiro pode obter “vitória” na Corte.
Outro político do Centrão, ao comentar a expectativa sobre o resultado, recorreu a um ditado: “Cabeça de juiz e bunda de neném, ninguém sabe o que vem“.
Para um integrante da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o eventual relaxamento da detenção do banqueiro também poderia beneficiar políticos que mantêm relação com o empresário.
Nos bastidores, deputados e senadores avaliam que a manutenção da prisão ampliaria as chances de Vorcaro fechar acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal — possibilidade que, segundo eles, poderia levar a investigações envolvendo integrantes do Congresso e de outros Poderes.
Parlamentares que integram a CPMI do INSS, por outro lado, temem que uma eventual soltura do banqueiro prejudique o andamento das apurações sobre as fraudes ligadas ao Banco Master.
Na avaliação deles, a saída de Vorcaro da prisão poderia abrir espaço para manipulação de provas ou influência sobre testemunhas.
Por Metrópoles









