Empresário Edvaldo Peixoto relembra a época em que fotos eram reveladas em São Paulo e conta como se reinventou no comércio de Feira

Com mais de 40 anos de atuação no comércio de Feira de Santana, o empresário Edvaldo Peixoto se tornou uma das referências de perseverança e adaptação no centro comercial da cidade. À frente da tradicional Edy Filmes e Ótica Fashion, ele acompanhou de perto uma das maiores transformações tecnológicas do século: a passagem da fotografia analógica para a digital.

Instalada na Rua Barão de Cotegipe, no coração do comércio feirense, a loja nasceu no início da década de 1980 com um foco bem diferente do atual. Naquele período, o estabelecimento se dedicava à venda de máquinas fotográficas, filmes e materiais relacionados à fotografia, um setor que vivia grande demanda em toda a região.

Segundo Edvaldo Peixoto, em conversa com a reportagem do Portal dos Municípios, a fotografia era um processo muito diferente do que se conhece hoje.

“Naquele tempo as pessoas compravam filmes de 12, 24 ou 36 poses, colocavam na máquina e depois traziam para revelar. Às vezes esperavam dois ou três dias para receber as fotos”, relembra.

A era dos filmes fotográficos

Na década de 1980, Feira de Santana e boa parte da Bahia ainda não possuíam laboratórios especializados para revelação de fotos, o que obrigava comerciantes e fotógrafos a enviarem os filmes para São Paulo. O processo era demorado e exigia paciência dos clientes que aguardavam ansiosos para ver o resultado das imagens registradas em momentos especiais, como aniversários, casamentos e viagens.

Entre as marcas mais populares da época estavam filmes das empresas Fujifilm, Kodak e Agfa.

De acordo com o empresário, o filme Fuji era um dos mais procurados pelos consumidores.

“O Fuji vendia muito. A qualidade era considerada melhor e as cores eram mais agradáveis. Já o Kodak tinha uma tendência maior ao amarelo”, recorda.

Com o passar do tempo, surgiram máquinas de revelação mais modernas que passaram a entregar as fotos em cerca de uma hora, representando um grande avanço em relação aos dias de espera do passado.

Mudanças tecnológicas transformaram o setor

A partir dos anos 2000, no entanto, a fotografia passou por uma revolução tecnológica sem precedentes. A popularização das câmeras digitais e, posteriormente, dos smartphones, mudou completamente a forma de registrar e compartilhar imagens.

O avanço da tecnologia reduziu drasticamente a necessidade de filmes fotográficos e laboratórios químicos. Fotos passaram a ser capturadas e visualizadas instantaneamente, eliminando custos com rolos de filme e revelação.

Com a chegada dos celulares equipados com câmeras cada vez mais avançadas, o hábito de revelar fotografias em papel praticamente desapareceu para o público em geral.

“Hoje todo mundo tem uma câmera na mão, que é o celular. A foto é imediata. Você tira e na mesma hora já vê o resultado”, explica Edvaldo.

Adaptação para continuar no mercado

Diante dessas mudanças profundas no setor, o empresário percebeu que seria necessário reinventar o negócio para manter a empresa ativa. Foi então que decidiu migrar para o ramo ótico.

A Edy Filmes e Ótica Fashion passou a funcionar no mesmo endereço, na Rua Barão de Cotegipe, no centro de Feira de Santana, mantendo a tradição construída ao longo de décadas pela antiga Edy Filmes. Com a ampliação das atividades para o ramo ótico, o empresário Edvaldo Peixoto conseguiu preservar a credibilidade do negócio e conquistar uma clientela fiel, formada tanto por antigos clientes da época da fotografia analógica quanto por novos consumidores que buscam confiança e qualidade no atendimento.

“Como já tinha muitos anos de loja e era bastante conhecido na cidade, foi mais fácil conquistar clientes também no ramo ótico”, afirma.

Hoje, o estabelecimento trabalha principalmente com armações, lentes oftálmicas e serviços de montagem de óculos, atendendo clientes de Feira de Santana e de cidades da região.

Experiência e atendimento como diferencial

Ao longo das últimas décadas, o comércio feirense também passou por mudanças significativas, especialmente com o aumento da concorrência no setor ótico.

“Antigamente eu conseguia contar quantas óticas existiam na cidade. Hoje é impossível. Tem ótica em quase todas as galerias e bairros”, observa.

Mesmo diante desse cenário competitivo, Edvaldo acredita que alguns fatores continuam sendo decisivos para a permanência no mercado.

“O diferencial é o atendimento, a qualidade do serviço e a garantia que você oferece ao cliente. Quando a pessoa vai fazer um óculos, prefere procurar um lugar que tenha tradição e confiança”, destaca.

Tradição que atravessa gerações

Com aproximadamente 45 anos de história no comércio de Feira de Santana, a Edy Filmes e Ótica Fashion se mantém como exemplo de adaptação às mudanças tecnológicas e de mercado.

A trajetória de Edvaldo Peixoto também reflete a própria evolução da fotografia — desde o tempo dos filmes enviados para revelação em outros estados até a era das imagens digitais instantâneas.

Mesmo com todas as transformações, uma coisa permanece a mesma: o valor das imagens e da memória que elas representam.

“A fotografia sempre foi uma forma de registrar a vida das pessoas. Mudou a tecnologia, mas a importância das imagens continua a mesma”, conclui o empresário.