Prometeu ficar, mas pode sair: José Ronaldo entra no jogo majoritário de 2026 e agita o tabuleiro político baiano

O prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho (União Brasil), voltou a ter o nome ventilado para composição de chapa majoritária ao Governo da Bahia em 2026, tanto no campo do governador Jerônimo Rodrigues quanto no grupo liderado por ACM Neto. O movimento reforça seu peso político no interior do estado, especialmente pelo capital eleitoral que detém em Feira.

Entretanto, a possível candidatura traz novamente à tona um ponto sensível: durante a campanha municipal, José Ronaldo afirmou publicamente que, se eleito, não deixaria a Prefeitura “de jeito nenhum”. A declaração foi interpretada como compromisso direto com o mandato até o fim.

Nos bastidores, aliados ponderam que a política é dinâmica e que o ambiente eleitoral pode alterar decisões estratégicas. Ainda assim, interlocutores próximos ao prefeito sustentam que a tendência é de permanência no cargo, justamente para evitar desgaste com o eleitorado feirense.

O histórico recente também entra na equação. Em 2018, José Ronaldo renunciou à Prefeitura para disputar o Governo da Bahia. Naquele pleito, acabou derrotado pelo então governador Rui Costa, que foi reeleito ainda no primeiro turno com 75,41% dos votos válidos. José Ronaldo obteve 22,33% da votação, ficando em segundo lugar. O resultado consolidou a quarta vitória consecutiva do PT no comando do Executivo estadual e evidenciou a força da base governista naquele momento.

A lembrança daquele desempenho eleitoral é frequentemente citada por analistas como fator de cautela. Uma nova saída antecipada da Prefeitura poderia gerar questionamentos políticos e eleitorais, sobretudo diante da promessa feita na campanha mais recente e do histórico de 2018, quando a aposta estadual resultou em uma derrota expressiva imposta por Rui Costa.

Por ora, o prefeito mantém silêncio público sobre o tema. O fato de ser lembrado por dois campos políticos distintos demonstra força e capacidade de articulação. Resta saber se, diante do quadro político de 2026, prevalecerá o compromisso municipal assumido com os eleitores ou a oportunidade de protagonismo em uma disputa estadual.