Demora na Regulação da Saúde coloca pacientes em situação de risco na Bahia

Dona Carmelita, mulher negra de 76 anos, é vítima da demora no atendimento da regulação na Bahia.

O Sistema de Regulação da Saúde do Governo do Estado da Bahia tem demonstrado, de forma recorrente, incapacidade de cumprir sua função principal: garantir acesso ágil e eficaz a atendimento hospitalar especializado para pacientes em estado grave. Na prática, o que se observa é uma realidade de demora, sofrimento e exposição ao risco, especialmente entre idosos e pessoas em situação de maior vulnerabilidade, que aguardam dias — e até semanas — por uma transferência essencial para a preservação da vida.

É cada vez mais comum que famílias recorram à imprensa como último recurso para cobrar providências do Governo do Estado. Policlínicas e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), apesar de integrarem a rede pública de saúde, não dispõem de estrutura suficiente para tratar doenças em estágio avançado ou quadros clínicos graves. Pacientes que necessitam de atendimento especializado, indisponível nessas unidades, deveriam ser rapidamente transferidos para hospitais de referência, procedimento sob responsabilidade do Sistema de Regulação do Sistema Único de Saúde (SUS).

Entretanto, o sistema que deveria agilizar o atendimento tem funcionado, na Bahia, como um obstáculo. A regulação estadual é alvo constante de reclamações de pacientes e familiares, que enfrentam longas esperas enquanto o estado de saúde se agrava. A lentidão no acesso a leitos hospitalares reforça a sensação de abandono de quem depende exclusivamente do serviço público.

O caso de Dona Carmelita ilustra essa realidade. Mulher negra, 76 anos, mãe de família, pessoa humilde e merecedora de respeito, ela é mais uma feirense, mais uma baiana, que enfrenta o sofrimento imposto pela fila da regulação. Sua situação não é isolada, mas reflexo de um problema estrutural persistente no sistema de saúde estadual.

A família de Carmelita Moreira dos Santos, nascida em 16 de fevereiro de 1949, cobra providências imediatas das autoridades de saúde da Bahia, em especial da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) e da Central Estadual de Regulação. A idosa está internada há dez dias na Policlínica do bairro George Américo, em Feira de Santana, aguardando transferência urgente para o Hospital Geral Clériston Andrade, unidade de referência para atendimento de maior complexidade.

A deficiência do sistema de regulação representa uma falha administrativa e um problema humanitário que coloca vidas em risco e exige respostas imediatas, responsabilidade e compromisso efetivo do Governo do Estado com a população que depende do Sistema Único de Saúde.