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22 de julho de 2018
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VIOLÊNCIA - 11/07/2018

Após prisão de suspeitos, pai de jovem linchado desabafa: “Monstros”

Após prisão de suspeitos, pai de jovem linchado desabafa: “Monstros”

A notícia da prisão de quatro acusados de participar do linchamento do adolescente Victor Martins Melo, 16 anos, no Parque da Cidade, foi recebida com certo alívio pelo pai do estudante. Mas não diminuiu a dor e a revolta. “São monstros, não seres humanos”, disparou o comerciante Íris Melo, 47 (foto em destaque).

Ele se preocupa, contudo, com o fato de os envolvidos estarem em prisão temporária, pois nesse caso há a possibilidade de serem colocados em liberdade daqui a 30 dias. “Espero que fiquem presos pelo resto da vida e paguem pelo que fizeram”, afirmou. “Não posso dizer que estou me sentindo bem, pois queria olho por olho, dente por dente. Quero condenação máxima”, acrescentou o comerciante, casado, pai de outros dois filhos, uma jovem de 14 anos e um rapaz de 21.

“Eu já sabia da participação desses quatro e estou tentando ajudar a polícia a encontrar os outros. Achei o Facebook de alguns deles, mas eles sumiram, feito ratos. São uns covardes”, contou o comerciante. O pai de Victor também declarou que irá processar a organização da festa e o Governo do Distrito Federal. “Como é que fazem vista grossa para uma festa com mais de 1,5 mil pessoas, com bilheteria e tudo. Cadê a segurança que não fez nada? Cadê os brigadistas, a ambulância, o socorro?”, questionou.Íris decidiu fazer uma investigação por conta própria na tentativa de encontrar respostas para o crime que tirou a vida de Victor. Ele diz ter entrado em contato com colegas do filho presentes na festa de música eletrônica realizada no Parque da Cidade em 26 de maio para buscar respostas que pudessem apontar um culpado.

Íris tem consciência que nenhuma Justiça vai compensar a dor da perda precoce de um filho. O quarto do menino permanece intacto desde a data do crime. “Evitamos entrar, porque é uma dor muito grande. Estamos criando coragem para tirar as coisas e transformar o lugar em uma biblioteca”, disse o homem, que se emociona ao lembrar da relação com o filho.

“Ele trabalhava aqui comigo, era um rapaz trabalhador, responsável, honesto. Eu não sei por que motivo ele teve uma passagem tão curta pela Terra, mas era uma pessoa que ninguém tinha um ‘a’ para falar mal”, destacou Íris Melo ao Metrópoles (confira vídeo abaixo).

 

O caso
Victor foi brutalmente espancado até a morte, em 26 de maio. Segundo o delegado João de Ataliba Nogueira Neto, da 1º Delegacia de Polícia (Asa Sul), ele participava do evento no Parque da Cidade quando foi confundido por um ladrão de celular.

Um grupo de mais de 20 pessoas passou a agredi-lo violentamente. O garoto morreu após levar uma facada no coração, de 4,5cm de profundidade, segundo o laudo cadavérico do Instituto Médico Legal (IML). Mas também tinha sinais de uma perfuração na cabeça e outra na virilha.

Imagens do sistema de segurança do local gravaram parte da covardia (assista abaixo). Nos vídeos, os jovens aparecem em volta de Victor. Uma mulher grita: “Cadê a porra do celular?”. A pessoa que filma comenta, sem intervir na situação: “Os caras são covardes, né? Matando o cara bem aqui na frente”. Outro responde: “Mata não”.

 

Quatro acusados da barbárie foram presos nessa terça-feira (10), durante a Operação Thanatus, no Paranoá e em Sobradinho. São eles: Wesley Vinícius Moreira de Melo, 20 anos; Marcela Sabrina da Silva, 24; Wellington Silva Alves, 23; e Alan Luiz da Silva Júnior, 23. Os suspeitos estavam em suas casas e foram encontrados após denúncias anônimas feitas à polícia. Os investigadores também cumpriram 12 mandados de busca e apreensão nessas regiões.

Nas casas de nove menores que estudavam na mesma escola de Victor, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão, nessa terça (10). Como ainda não ouviu os adolescentes, a corporação não sabe se conheciam a vítima. Entre os objetos recolhidos, os policiais encontraram algumas facas, que podem ter sido usadas no crime.

Victor saiu de casa para participar da festa – Cala-boca, me beija –, que ocorreu no estacionamento 11 e teria sido marcada via redes sociais. A administração do Parque da Cidade não concedeu autorização para o evento, que reuniu cerca de 1.500 pessoas.

Um vídeo mostra o momento no qual socorristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) tentam reanimar a vítima (veja abaixo). As investigações continuam. A polícia pede para quem tiver mais informações sobre o caso ligar para o número 197. Não é preciso se identificar.

 MEGTÓPOLES

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