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POLÍCIA - 22/07/2018

Polícia procura dinheiro escondido em teto de estação do BRT

Polícia procura dinheiro escondido em teto de estação do BRT

As investigações da Operação Trickster, da Polícia Civil, que apura um esquema criminoso no qual R$ 1 bilhão teria sido desviado do sistema de bilhetagem eletrônica do Distrito Federal, terão novos desdobramentos em breve. O volume de provas apreendidas nas primeiras fases do trabalho resultaram na abertura de seis novos inquéritos. Um deles apura a localização de malotes com dinheiro escondidos no teto de um dos terminais do BRT. Outro envolve o suposto pagamento de propina ao ex-diretor de controle de bilhetagem automática do DFTrans, Harumy Tomonori Honda, preso na segunda fase da operação.

Na próxima terça-feira (24/7), três servidores do DFTrans prestarão depoimento na Coordenação de Repressão aos Crimes Contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes (Corf) sobre a história dos malotes com dinheiro. O montante seria proveniente da bilhetagem eletrônica. Os investigadores querem saber o motivo pelo qual o dinheiro estava escondido no forro do teto e onde foi parar.

Ouvido na delegacia, em maio de 2018, um ex-funcionário terceirizado da autarquia afirmou aos policiais ter encontrado malotes com dinheiro escondido em um buraco no teto da estação do BRT no Park Way. A descoberta ocorreu em 1º de abril de 2016, mas só veio à tona em maio deste ano, após o depoimento (transcrito abaixo).

Depoimento da testemunha da operação Trickster by Metropoles on Scribd

 


O ex-funcionário da autarquia relatou, ainda, que não foi aberto qualquer tipo de processo administrativo para apurar a origem do dinheiro. Segundo ele, houve um roubo no terminal, curiosamente, no mesmo dia da descoberta dos malotes: a porta do local foi arrombada com a ajuda de um maçarico. Embora o caso tenha sido registrado na 11ª Delegacia de Polícia (Núcleo Bandeirante), ninguém foi preso.
Transporte de malotes
De acordo com o termo de declaração à polícia, o ex-funcionário contou ter notado o buraco no teto quando chegou ao terminal e decidiu checar o que havia ali. Após colocar a mão no espaço aberto, ele diz ter puxado um dos malotes onde havia dinheiro. Em seguida, retirou outros três volumes do buraco. A testemunha relatou ter pedido ajuda a outros servidores para contar o dinheiro e, depois, acionado uma empresa especializada no transporte de valores para levar os recursos até o DFTrans.

Uma semana após o assalto, a testemunha foi demitida pelo DFTrans – acrescentou ela no depoimento à equipe da Corf. No inquérito, consta a afirmação de que o funcionário teria, em 2017, começado a presenciar uma série de irregularidades na autarquia, como a glosa de pagamentos indevidos. Ele produzia relatórios com os extratos dos cartões utilizados (foto abaixo) e os encaminhava para análise da chefia.

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Pagamento de propina
O outro inquérito apurado pela Corf diz respeito a um suposto pagamento de propina, flagrado em vídeo. Os investigadores estão em poder de imagens gravadas por câmeras de segurança da Cooperbras. O vídeo mostra o ex-responsável pela unidade de controle de bilhetagem automática do DFTrans – Harumy Tomonori Honda – deixando a pé a garagem da permissionária. Nos mãos do ex-gestor, havia um envelope, cujo conteúdo, pelo volume, os investigadores acreditam se tratar de dinheiro.

O flagrante foi feito em meados de abril de 2018. No dia 24 daquele mês, policiais prenderam Honda temporariamente. Na mesma oportunidade, também foram cumpridos mandados de busca e apreensão na casa dele e na residência do ex-diretor-geral do órgão, Léo Carlos Cruz.

O dono da Cooperbras, o empresário Ronaldo de Oliveira, também é investigado na operação Trickster. De acordo com as apurações, ele comanda cooperativas e empresas que possuem sete contratos com o Governo do Distrito Federal (GDF). Somados, apenas quatro alcançam a cifra de R$ 36.051.890,36. Os convênios envolvem a prestação de serviços no ramo de transporte escolar em diversas cidades do DF.

Fraude em várias frentes
A ação das empresas de Ronaldo Oliveira é apenas um dos braços investigados na Operação Trickster, a qual culminou na prisão de 34 pessoas envolvidas na fraude bilionária que lesou os cofres do DFTrans. Segundo as apurações da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), um mesmo cartão de vale-transporte chegou a ser utilizado 60 vezes, em apenas uma linha, em um intervalo de oito segundos.

O grupo, supostamente chefiado pelo auditor da Secretaria de Mobilidade Pedro Jorge Brasil, preso pela segunda vez, teria desviado mais de R$ 1 bilhão do sistema de bilhetagem do Distrito Federal. Boa parte do dinheiro, acreditam os investigadores, foi aplicada no mercado imobiliário.

O esquema funcionava desde 2014, destacou a PCDF, quando o servidor estava lotado no DFTrans. A quadrilha descarregava os créditos de cartões de vale-transporte nos validadores de ônibus, de forma sequencial e em linhas distintas. Tudo era feito com empresas de fachada e trabalhadores fantasmas, de acordo com as apurações policiais.

O outro lado
Metrópoles procurou o DFtrans para falar sobre as declarações à Corf do ex-funcionário que teria encontrado os malotes de dinheiro. Por meio de nota, a autarquia ressaltou: “todos os depoimentos foram prestados no âmbito da Operação Trickster, deflagrada pela Polícia Civil, e, portanto, por serem sigilosos, não são do conhecimento desta autarquia”.

O DFTrans garantiu, ainda, que todos os processos administrativos abertos para apurar desvios de conduta de servidores públicos são sigilosos e encaminhados à Controladoria-Geral do Distrito Federal. METRÓPOLES

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