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ELEIÇÕES 2018 - 14/10/2018

Evangélicos preferem Bolsonaro e podem decidir eleição contra Haddad

Evangélicos preferem Bolsonaro e podem decidir eleição contra Haddad

A migração da maioria do eleitorado evangélico para o candidato do PSL ao Planalto, Jair Bolsonaro (PSL), desafia o adversário, Fernando Haddad(PT), a buscar fatos que o ajude a dividir os votos com influência religiosa. A disputa pelos fiéis de diferentes denominações cristãs tornou-se um dos pontos de atenção da campanha petista. Transformou-se, também, em um foco de atritos com antigos aliados e com o rival na corrida presidencial.

Pelo peso desse segmento, compreende-se a preocupação dos petistas. Pesquisa Datafolha divulgada nessa quarta-feira (10/10) identificou 31% da população brasileira como seguidora de alguma igreja evangélica. Nesse universo, segundo o mesmo levantamento, Bolsonaro tem 60% da preferência dos eleitores. Haddad 25%.

Supondo-se que a presença nas urnas reflita a mesma proporção, pode-se dizer que, dos 117 milhões dos eleitores no primeiro turno, mais de 36 milhões eram evangélicos. Desse total, então, cerca de 21,7 milhões votarão no candidato do PSL. O petista terá pouco mais de 9 milhões. A diferença superior a 12 milhões em favor de Bolsonaro entre os fiéis desse setor pode ser decisiva para a derrota de Haddad.

Para dimensionar essa fração no cenário da corrida presidencial, deve-se levar em conta que, em 2014, Dilma Rousseff teve cerca de 3,5 milhões de votos a mais do que o tucano Aécio Neves.

Até a última eleição, alguns dos mais influentes líderes de igreja votaram nos candidatos do PT ao Planalto. Em 2018, pastores com milhões de seguidores transferiram o apoio para o presidenciável do PSL. Essa situação provocou uma investida mais agressiva do concorrente petista contra um antigo aliado.

Em entrevista coletiva concedida em São Paulo no último sábado (12) depois de participar de uma missa, Haddad atacou a aliança do adversário com o líder da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). “Bolsonaro é o casamento do neoliberalismo desalmado, representado pelo Paulo Guedes, que corta diretos trabalhistas e sociais, com o fundamentalismo charlatão do Edir Macedo”, declarou o presidenciável do PT, referindo-se ao bispo fundador e maior referência da Universal.

Nas eleições de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff para o Palácio do Planalto, Edir Macedo foi um apoiador efetivo e prestigiado. Em 2014, durante a campanha de reeleição, a petista participou da inauguração do Templo de Salomão, sede da Universal em São Paulo.

Agora, Macedo tornou-se um desafeto dos petistas. “Com sua fala criminosa, o ex-prefeito de São Paulo desrespeita não apenas os mais de 7 milhões de adeptos da Universal apenas no Brasil, mas todos os brasileiros católicos e evangélicos que não querem a volta ao poder de um partido político que tem como projeto a destruição dos valores cristãos”, disse a Universal em nota.

Bolsonaro também atacou os rivais. “O PT agora tenta jogar católicos e evangélicos uns contra os outros. Essa divisão ofende várias famílias que, assim como a minha, são formadas por diferentes vertentes. Não conseguirão! Estamos todos unidos contra a inversão de valores que impera há anos e que destrói nosso país!”, afirmou o presidenciável em mensagem divulgada pelo Twitter.

Os temas religiosos estão presentes em toda a campanha, mas as discussões ganharam maior visibilidade depois da votação do primeiro turno. Na entrevista concedida ao Jornal Nacional, da TV Globo, na noite da última segunda-feira (8), Bolsonaro destacou alguns setores responsáveis pelos quase 50 milhões de votos obtidos no primeiro turno da eleição. “Meu muito obrigado às lideranças evangélicas…”, agradeceu o deputado, em tom de campanha, logo após citar um trecho bíblico.

A adesão majoritária do eleitorado com esse perfil ajuda a entender o desempenho do presidenciável do PSL nas eleições de 2018. Nas disputas anteriores pelo Palácio do Planalto, além de Edir Macedo, alguns dos principais líderes de igrejas aliavam-se aos candidatos do PT.

Na última campanha, a Dilma Rousseff também recebeu o suporte do pastor Manoel Ferreira, da Assembleia de Deus ramo Madureira, do bispo Robson Rodovalho, da Igreja Sara Nossa Terra, e do senador Magno Malta (PR-ES), da Igreja Batista, que em 2018 fracassou na tentativa de conquistar mais um mandato parlamentar.

Rodovalho e Magno Malta migraram para o Bolsonaro. Outro expoente do mundo evangélico, o líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, Silas Malafaia trabalhou pelos tucanos José Serra, em 2010, e Aécio neves, em 2014. Agora, prega em favor do capitão reformado.

Mais cauteloso na política em eleições anteriores, o apóstolo Valdomiro Santiago da Igreja Mundial do Poder de Deus reforçou o campo de seguidores do candidato do PSL. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o líder religioso dirigiu-se aos nordestinos para pedir votos para o vendedor.

“Eu não estou satisfeito com o Brasil do jeito que está e você? Bolsonaro é o novo”, disse. “Perdemos na saúde, na segurança e na educação. Isso sem contar a liberdade religiosa que está ameaçada”, afirmou Santiago, referindo-se aos governos petistas.

Boa parte dos brasileiros com intenção de escolher o presidenciável do PSL fez parte dos cerca de 20% que, em 2014, votaram em Marina Silva, na ocasião filiada ao PSB. Na disputa atual, pela Rede, ela perdeu força entre os fieis, mais propensos em apoiar o capitão reformado.

Para tentar conter a debandada de eleitores deste setor, Haddad exibiu na terça-feira (9) um vídeo com depoimentos a seu favor dados por três pastores, duas pastoras e um membro de igrejas. Eles repelem o discurso de ódio nas campanhas e pedem respeito a minorias, como negros e indígenas.

Para se ter uma ideia da importância dos evangélicos na votação do deputado do PSL, vale uma comparação para a correlação de força dos dois presidenciáveis entre os católicos. Segundo o Datafolha, 46% dos seguidores do Vaticano pretendem votar no presidenciável do PSL, enquanto 40% optarão por Haddad.

O candidato petista trabalha para reduzir essa diferença. Nessa quinta-feira (11), ele visitou a sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para discutir uma pauta de interesse comum. O presidenciável pediu apoio no combate a fake news e o secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, posicionou-se contrariamente à legalização do aborto e defendeu o combate à corrupção. Ambos demonstraram preocupação com a violência no Brasil.

Temas como liberação do aborto, união homoafetiva e legalização das drogas fazem parte da lista de projetos que unem os evangélicos contra Haddad. Em 2014, a então candidata pelo PSB, Marina Silva, perdeu apoio de líderes religiosos porque evitou posicionar-se contra essas propostas. Na ocasião, por exemplo, o deputado Marcos Feliciano (PSC-SP) rompeu com a ex-ministra do Meio Ambiente por entender que ela encamparia algumas dessas bandeiras.

Caso seja eleito, Bolsonaro contará com a simpatia da bancada evangélica. Incluindo-se os simpatizantes, o grupo chega a 150 parlamentares. Embora menos da metade tenha sido reeleita, esse número pode chegar a 180 com a onda conservadora que renovou a maioria dos congressistas.

A influência dos evangélicos no país chama atenção de estudiosos também no exterior. Em entrevista publicada pela Folha de S.Paulo na segunda-feira (8), o historiador italiano Loris Zanatta aponta que, em toda a América Latina, tema de suas pesquisas, o Brasil é o único país em que esse setor tem tanta importância na política. Hoje, Bolsonaro é o principal beneficiário desse fenômeno. Metrópoles

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